Sábado, 31 de Janeiro de 2004
Que país iremos ter?
Não serei expert em economia, mas há coisas que me preocupam.

Supostamente, quer se trate de funcionários públicos ou não, qualquer cidadão que comparticipe através dos seus impostos (vários) contribui para o progresso do país.

Sabemos que há muita coisa que está mal. De facto, regra geral, sempre que se pode fugir aos impostos qualquer normal cidadão tentará fugir, mas creio dever-se isso ao facto de o Estado Português não favorecer a contribuição de quem o constitui.

Independentemente de todos estes factos, há realidades objectivas sobre as quais se deve reflectir pois são sintomáticas da nossa consciência cívica.

O Estado somos todos nós, cidadãos que o promovemos. Se produzirmos bem, o país estará bem (pressupõe-se). Se não produzimos ou não contribuímos, então teremos um país em desequilíbrio em termos de produção e desenvolvimento.

Mas, isto é um pressuposto. Entre o pressuposto e a realidade vai uma grande distância.

A realidade que temos é que o Estado é constituído por uma parca percentagens de contribuintes que, como agravante, pouco auferem da sua produção, logo, os seus contributos não poderão ser muito elevados pois a distribuição da riqueza é desequilibrada.

Em vez de termos um governo (independentemente da sua feição partidária) que defenda os interesses do país e, em especial, faça uma gestão equilibrada dos contributos que ainda se conseguem obter, temos um governo que inibe o incentivo à produção. Senão vejamos:

1. A inflacção não pára, antes pelo contrário: dispara.

2. Os impostos, camufladamente, dispersam-se pelos mais diversos produtos (e não dimunuem).

3. O valor dos bens essenciais dispara vertiginosamente: o pão é disso exemplo. Mas há que controlar o défice (concordo, mas tanto também não).

4. O preço da gasolina é liberalizado. Pois: dá mais jeito, assim não é o governo responsável pelos aumentos, mas as gasolineiras que há muito protestam sobre os impostos pagos. Não se baixam os impostos, mas, em contrapartida e em nome da concorrência, liberalizam-se os preços. Quem paga? (esta tem piada).

5. Campanhas de protecção do ambiente intensas: para quê? Cada vez é mais barato deslocarmo-nos em carro próprio do que em transporte público. Consegue ser mais barato andar de carro nas cidades e estacionar nos parques (caríssimos) do que fazer uma viagem de combóio ou de autocarro. Chama-se a isso incentivo?

6. Obras públicas: acima de um valor determinado (dependendo da rubrica) há que proceder a um (fictício mas ninguém sabe) concurso público, discussão (eheheheheheh) pública e respectiva aprovação pelo tribunal de contas (eheheheheheheh - desculpem mas só dá para rir), de maneira que os buracos na estrada, embora fiquem mais caros que um tapete novo, são remendados sucessivamente com visíveis arrombos no erário público e (consequente e penalizantemente) para o contribuinte, pois, vindas de lá as águas pluviais, o trafego de pesados e o calor característico no verão, quase de imediato se abrem e as crateras multiplicam-se como cogumelos depois da chuva. Mas é mais barato tapar o buraco! Que gestores do património público, das finaças públicas temos nós! Faz lembrar aquela garota que não comprando um caixa na loja porque era cara, decide forrar e envernizar caixas de sapatos, cujo valor, que aparentemente seria nulo em termos monetários, equivaleria à aquisição efectiva de uma dezena de caixas já acabadas e prontas de loja (salvaguardando-se os devidos exageros!).

7. Há mais, mas agora vem a que mais gosto! Então este ano, pela segunda vez, os aumentos são congelados para quem aufere acima dos 1000€. Se fizermos bem as contas, se o país estás "nas lonas", os contribuintes deveriam ser incentivados a produzir mais porque isso significaria aumento da riqueza (leia-se produção) nacional. Ora um ano sem aumentos, agravou a estabilidade económica da nação. Qualquer indivíduo com dois dedos de testa vai perguntar-se: para quê esforçar-se? Então não deu em nada, logo para quê esforçar-se para rentabilizar qualquer coisa que até nem se vê? Então, digo eu, aumento 0, produção crescente 0. Se formos mais objectivos: aumenta a inflacção e os impostos indirectos, aumento do custo efectivo de vida significativamente superior, aumento do poder de compra negativo, não será justo, encostarmo-nos todos à bananeira e esperar para ver o que vai acontecer? Assim, como assim, já sabemos que nada vai mudar, então, em vez de aumentar a produção, diminuamos. Pode ser que o país se equilibre. :o


Eis o Estado da nossa nação. :(


publicado por sac3107 às 21:37
link do post | comentar | favorito
|

2 comentários:
De safro a 5 de Fevereiro de 2004 às 20:38
Bem, eu não diria realista, mas é uma perspectiva que me ocorre; da mesma forma que muito me espanta a quietude nacional. Mas enfim, é o país que temos:( Obrigada, de qualquer forma;)


De BornPt a 1 de Fevereiro de 2004 às 16:54
E o comentário mais realista e actual desde sempre neste blog.


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Abril 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


posts recentes

...

Convenções para evitar a ...

Deduções e abatimentos no...

OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS ­...

Lista de Programas de Fac...

Simulador de IRS 2011

Música céltica - moderna ...

Música céltica - moderna ...

Moedas pouco usuais

Moedas japonesas

arquivos

Abril 2012

Março 2012

Abril 2010

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Setembro 2007

Fevereiro 2007

Outubro 2006

Agosto 2006

Abril 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Janeiro 2004

Dezembro 2003

Novembro 2003

links
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds